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Dra. Izumi Kurata

   CRM 14340

Seu intestino reflete sua saúde

Atualizado: 21 de jul. de 2024


imagem do intestino humano

Quem diria que uma mudança no ritmo intestinal pode dizer muito sobre sua saúde em geral?


Ninguém deve parar para se preocupar quando o intestino não funciona regularmente. Se não conseguimos evacuar hoje, talvez ele funcione mais tarde, quem sabe... um dia a mais ou a menos não deve fazer tanta diferença!


Ou, pelo contrário, ao terminar uma refeição inesperadamente aparecem dores abdominais, estufamento, gases, refluxo, indigestão ou vontade urgente de evacuar. Outros têm vários episódios de diarreia.


Não importa em que caso você se encaixe, o que será que está acontecendo com o sistema digestivo para termos estas alterações?


Já ouviu falar em disbiose?


Temos uma infinidade de motivos para que o trato gastrointestinal comece a ter alterações.


O estresse crônico, as noites mal dormidas, a qualidade da alimentação diária, tudo isso pode alterar a forma como processamos e absorvemos aquilo que ingerimos.


Quando nosso organismo não consegue mais se auto regular surgem sintomas vagos, pouco perceptíveis, que vamos protelando até que fiquem tão aparentes que não conseguimos mais ignorá-los.


A incidência das alterações intestinais é muito maior entre as mulheres que entre os homens e estão intimamente relacionadas à regulação hormonal.


Nosso corpo contém trilhões de microorganismos que se diversificam logo após o nascimento. Cerca de 90% de nossa flora intestinal é composta por bactérias Firmicutes e Bacterioidetes e dependendo da forma em que nascemos (via cesárea ou parto vaginal) e da forma como a alimentação é introduzida (amamentação com leite materno no peito ou fórmulas infantis na mamadeira) ela já se modifica!


Não é de se estranhar então que nossa flora modifique de acordo com nossa dieta, o tipo de metabolismo, a idade, estresse, mudança de temperatura, sono, uso de medicamentos...


Mas o que isso influencia em nossa saúde?


Para mantermos nossas funções vitais básicas (respiração, batimentos cardíacos, atividade cerebral) precisamos de combustível, que é proveniente de nossa alimentação e depósitos de energia corporais. Para que o alimento ingerido se transforme em combustível passível de utilização pelo nosso corpo, ele deve ser absorvido pelo trato gastrointestinal.


A absorção dos nutrientes ocorre durante a passagem do alimento pelo nosso sistema digestivo. O nutriente absorvido passa para a circulação sanguínea, sendo então distribuída pelo corpo.


Quando nossa flora intestinal está em equilíbrio, ocorre a absorção dos nutrientes e a produção de compostos bioativos que incluem os neurotransmissores, hormônios e neuropeptídeos, que vão influenciar nosso cérebro. Há produção de serotonina, que regula nosso humor, apetite, sono e são produzidos pelas células intestinais. As alterações dos níveis de serotonina estão relacionadas com vários distúrbios psiquiátricos. As células intestinais também produzem o GABA, um neurotransmissor que regula a ansiedade e o estresse.


A nossa flora intestinal também é responsável pela manutenção da barreira intestinal. Da mesma forma que permite a passagem de nutrientes, ela barra a passagem de agentes nocivos.

Nosso estilo de vida sedentário, com dietas ultra processadas, consumo de álcool, tabagismo, obesidade, estresse, noites mal dormidas, uso de antibióticos, influenciam no desequilíbrio da flora intestinal levando à disbiose, ou seja, um aumento de determinados microorganismos que levam ao desequilíbrio da integridade de nossa barreira intestinal.


O aumento da permeabilidade dessa barreira permite a passagem de microorganismos e substâncias que irão ativar nosso sistema imunológico produzindo o que chamamos de inflamação sistêmica de baixo grau, uma situação precursora da maioria das doenças crônicas como por exemplo as doenças auto imunes, doenças reumáticas, depressão, demência, síndrome metabólica, hipertensão, câncer.


Esta é só uma pequena amostra do que nossa saúde intestinal pode fazer com o nosso organismo.


Não seja um mero espectador alimentando o processo de adoecimento!

 

 

 
 
 

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