Qual a importância da flora intestinal?
- Izumi Kurata
- 25 de mai. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 21 de jul. de 2024

Nossa flora intestinal é composta principalmente por bactérias, que são fundamentais para a manutenção de nossa saúde através do controle da imunidade e da função de barreira intestinal.
A microbiota produz substâncias bioativas, incluindo hormônios, que agem no sistema nervoso central. Uma quantidade significante de serotonina é produzida pelas células da parede intestinal. Este neurotransmissor regula o humor, o apetite e o sono. Alterações nos níveis de serotonina estão associadas a várias desordens psiquiátricas.
Outro neurotransmissor produzido pelas bactérias é o GABA, que influencia na ansiedade e nas respostas ao estresse. Os neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina estão envolvidos na modulação da secreção gastrointestinal e no peristaltismo assim como no comportamento e estão ligadas na origem da ansiedade e depressão.
A fermentação das fibras da dieta pelas bactérias intestinais produz ácidos graxos de cadeia curta, que podem atravessar a barreira entre o sangue e o cérebro, influenciando a função cerebral bem como seu fluxo sanguíneo. A microbiota intestinal modula a integridade e a permeabilidade da barreira entre o sangue e o cérebro.
Na disbiose ocorre a formação de endotoxinas com alteração da permeabilidade intestinal, permitindo a passagem de micróbios e substâncias inflamatórias para o sangue, causando uma inflamação sistêmica de baixo grau.
As alterações intestinais como a síndrome do cólon irritável e as doenças intestinais inflamatórias estão associadas à perda da barreira intestinal e aumento das moléculas pró inflamatórias, aumentando o risco de doenças neurológicas como o Parkinson, Alzheimer e outras.
A microbiota também regula o eixo hipotálamo – hipófise – adrenal e na disbiose há uma hiperativação podendo levar ao desenvolvimento de desordens relacionadas ao estresse.
A dieta representa um componente fundamental na manutenção da saúde através dos efeitos diretos e indiretos mediados pela modulação da microbiota, células imunes e funções da barreira intestinal. Os oligo monossacarídeos fermentáveis, a dieta baixa em lactose e os alimentos fitoterápicos medicinais podem prevenir o Alzheimer; a dieta Mediterrânea que inclui frutas, vegetais, nozes, grãos integrais e gorduras saudáveis, peixe, feijões e ovos podem prevenir e melhorar a doença de Parkinson, a depressão e ansiedade.
Por outro lado, vários nutrientes como produtos rico em gorduras, carne vermelha e embutidos, excesso de calorias, sal, gordura saturada, açúcar refinado e pobre em ácidos graxos característicos da dieta ocidental, pioram os sintomas e a gravidade do Alzheimer, Parkinson e depressão, contribuindo com a disfunção do eixo intestino – microbiota – cérebro e inflamação sistêmica.
Referência:
Carloni S, Rescigno M. The gut-brain vascular axis in neuroinflammation. Semin Immunol. 2023 Sep;69:101802.



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