Fibromialgia
- Izumi Kurata
- 14 de ago. de 2024
- 3 min de leitura

A fibromialgia é caracterizada por ser um distúrbio doloroso, crônico, cujos principais sintomas são dor no corpo todo, cansaço, distúrbios do sono.
Ocorre aumento da sensibilidade dolorosa à pressão em áreas musculares específicas e sono não reparador, levando à fadiga, confusão mental (dificuldade de memória, concentração), alterações de humor (ansiedade, depressão) e outros sintomas relacionados à sensibilização central, como enxaqueca, síndrome de fadiga crônica, síndrome do intestino irritável, dor difusa com localização imprecisa, cistite intersticial, dor pélvica crônica, disfunção de articulação temporomandibular e síndrome das pernas inquietas.
Podem estar associadas a outras queixas como dormências, palpitações, tontura, zumbido, dor abdominal, etc.
No Brasil, a fibromialgia atinge 1,7 a 2,5% da população, predomina nas mulheres na proporção de 13:1. Pode iniciar dos 25 aos 65 anos, com média de 49 anos, mas também pode ocorrer em idosos e crianças.
O tratamento da fibromialgia tem como objetivo aliviar os sintomas, melhorar a função e a qualidade de vida.
O ponto mais importante aqui é a orientação para um estilo de vida saudável e desenvolvimento de estratégias de autogestão, pois o paciente é a parte fundamental para aderência ao tratamento e deve ter participação ativa no seu processo de reabilitação.
A atividade física tem benefícios inegáveis, porém deve ser prescrita de maneira individualizada, quanto ao tipo, frequência, duração e intensidade; ocorrem melhorias na produção de serotonina, regulação do eixo hipotálamo hipofisário e sistema nervoso autônomo, amenizando os sintomas de depressão, cansaço e dor.
Uma dieta menos inflamatória, livre de ultra processados e açúcares, com redução do consumo de carne vermelha propicia uma redução na produção de neuro transmissores que agravam a dor, reduzem o colesterol e gorduras saturadas, reduzindo a dor.
Pacientes com problemas gastrointestinais se beneficiam de dietas com baixo teor de FODMAP - açúcares de cadeia curta mal absorvidos.
Alimentos com polifenóis como o chá verde, produtos de soja e quercetina têm propriedades anti inflamatórias.
O aumento da ingestão de alimentos ricos em ômega 3, carotenoides, vitaminas A e C reduz a inflamação e fadiga.
A dieta mediterrânea, que consiste no uso de grãos integrais, nozes, carnes magras, azeite, frutas e vegetais e peixe magro também reduzem a inflamação e fadiga.
A fadiga é um dos principais sintomas relacionados a um estado inflamatório crônico de baixo grau nos pacientes com fibromialgia e como já abordado em artigos anteriores, este estado inflamatório é de causa multifatorial, devendo também ter abordagem multimodal, como exercícios, mudança de estilo de vida, alimentação, etc.
Em pacientes com fibromialgia ocorre supercrescimento bacteriano, aumento da permeabilidade intestinal, aumento de bactérias produtoras de ácidos graxos de cadeia curta e metabolismo elevado de ácidos biliares. A dor, fadiga e sintomas cognitivos estão associados às alterações do microbioma intestinal.
Estudos recentes mostraram que a suplementação de citrato de magnésio com amitriptilina alivia a maioria dos sintomas da fibromialgia; o mesmo ocorre com a suplementação de ferro, coenzima Q10, capsaicina, gengibre, açafrão.
O glúten está relacionado à sensibilidade não celíaca, presente em até 13% da população em geral; existem sobreposições de sintomas de sensibilidade ao glúten, como intestino irritável, dor musculoesquelética e falta de energia. A ingestão do glúten aumenta a produção de citocinas inflamatórias e uma dieta sem glúten pode limitar a dor.
A acupuntura pode aliviar os sintomas da fibromialgia devido seu efeito analgésico e anti inflamatório, com a liberação de compostos endógenos opioides, norepinefrina, serotonina, dinorfinas, beta endorfinas, encefalinas e ácido gama aminobutírico, promovendo reequilíbrio do eixo neuro imuno endócrino, regulação do sono, do trato gastrointestinal, melhora da fadiga, depressão, ansiedade.



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