Acupuntura na insônia relacionada à depressão
- Izumi Kurata
- 6 de jan. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 21 de jul. de 2024
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A Organização Mundial de Saúde publicou uma pesquisa em fevereiro de 2017 sobre as duas doenças psiquiátricas mais comuns que afetam a população mundial: transtornos depressivos e ansiosos. De acordo com essa pesquisa, o Brasil lidera o mundo em prevalência de transtornos de ansiedade e ocupa o quinto lugar em taxas de depressão.
A depressão é acompanhada de perda de interesse e distúrbios do sono. A insônia é definida como uma dificuldade em iniciar e manter o sono (incluindo o despertar fácil, acordar cedo demais e dificuldades para dormir). Isso causa diminuição do tempo de sono e má qualidade do sono, afetando a capacidade de aprender, a eficiência no trabalho e finalmente, na qualidade de vida.
Existe uma relação complexa entre depressão e distúrbios do sono. A insônia e a depressão são frequentemente ligadas; aproximadamente 70% dos pacientes com depressão têm sintomas de insônia. A prevalência de depressão em pacientes com insônia é 3 a 4 vezes maior do que em pacientes sem insônia e os distúrbios do sono são uma das manifestações primárias e critério diagnóstico para a depressão. Uma das manifestações da depressão grave é acordar até 2 horas ou mais antes do que o normal.
A medicação antidepressiva de primeira linha inclui inibidores da recaptação de serotonina, inibidores da recaptação de serotonina-noradrenalina, inibidores tricíclicos e inibidores da monoamina oxidase. No entanto, essas drogas estão associadas a efeitos colaterais indesejáveis, como ganho de peso, sedação, boca seca, náusea, visão turva, constipação e taquicardia.
A acupuntura é amplamente utilizada no tratamento da insônia relacionada à depressão, no entanto há um número insuficiente de ensaios controlados randomizados bem desenhados e de alta qualidade.
Foi feita uma revisão sistemática e meta-análise sobre o tratamento com acupuntura para insônia relacionada à depressão.
Os resultados primários foram avaliados segundo a pontuação do PSQI (Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh), que tem sido utilizado para avaliar a qualidade de sono em pacientes com distúrbios do sono e problemas mentais concomitantes.
Os resultados secundários foram avaliados pelo HAMD (Escala de Depressão de Hamilton), que é a escala mais utilizada para a avaliação clínica da depressão.
A definição de uma cura clínica foram tempo de sono normal maior que 6 horas, sono profundo, ser enérgico após acordar e redução da taxa de escore HAMD acima de 75%.
A eficácia do tratamento foi definida como menos sintomas de insônia, aumento do tempo de sono em pelo menos 3 horas e redução da taxa de escore HAMD maior ou igual a 25%.
O tratamento inválido é a não melhora após o tratamento ou a redução da taxa de escore HAMD menor que 25%.
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A meta-análise mostrou que em comparação com a medicina ocidental convencional, a acupuntura pode ser mais eficaz na diminuição do escore do PSQI.
Com relação ao escore de HAMD, não há diferença significativa entre a acupuntura e a medicina ocidental convencional.
A acupuntura combinada com medicamento mostrou-se significativamente eficaz na diminuição da pontuação de PSQI e HAMD em comparação com medicação única.
A atual evidência existente permite conclusões limitadas alcançado através da comparação de acupuntura e medicina, e ensaios adicionais são necessários para melhorar a confiabilidade dessas descobertas.
Em termos de eventos adversos, a acupuntura foi vinculada a eventos raros e levemente adversos, como hematomas ou dor, mas estes foram resolvidos rapidamente e sem outros eventos graves relatados.
Em conclusão, evidências de pesquisa apoiaram o uso da acupuntura como um tratamento eficaz para melhorar os sintomas de insônia relacionada à depressão.
Referências:
Souza,I.M.; Sousa,J.P.M. – Brazil:world leader in anxiety and depression rates. Brazilian Journal of Psychiatry, 39(4), 2017.
Dong,B. et all. – The efficacy of acupuncture for treating depression-related insomnia compared with control group: a systematic review and meta-analysis. Biomed Res. Int., 2017: 1- 11, 2017.



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